Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
A TARDE É SUA
Hoje volto ao programa A TARDE É SUA,

na TVI, para comentar o tema

AFINAL... ELE TINHA OUTRA FAMÍLIA!


publicado por Cláudia Morais às 12:25
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
A TARDE É SUA - VÍDEO
Partilho hoje o vídeo da minha participação

no programa A TARDE É SUA do dia 5 de Janeiro,

onde comentei o tema

QUERO VOLTAR A GOSTAR DE MIM.




publicado por Cláudia Morais às 13:59
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012
A TARDE É SUA
Hoje volto ao programa  A TARDE É SUA, na TVI,
para comentar o tema
QUERO VOLTAR A GOSTAR DE MIM.


publicado por Cláudia Morais às 12:35
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012
CASAMENTO FELIZ COM FILHOS
A chegada do primeiro filho é cada vez mais tardia. A maior parte dos jovens adultos opta por concluir o percurso académico, estabilizar profissionalmente e explorar o mundo através de viagens antes de partir para esta etapa do ciclo de vida. Reconhecem que o nascimento do primeiro filho corresponde a um período de muitas mudanças, algumas difíceis, e optam por viver algum tempo a liberdade que a vida a dois oferece.

Mas ainda que esta etapa esteja envolta numa
imensa carga de trabalhos,
a verdade é que uma percentagem significativa dos casais opta por ter filhos e reconhece neste passo uma espécie de realização pessoal.

Mais: para muitos, uma relação amorosa só se transforma em família aquando da concretização deste sonho. É verdade que vivemos numa era em que todos os dias surgem novas formas de família mas o modelo tradicional continua a vigorar nos sonhos da maior parte dos adultos.

Ao contrário do que acontecia até há alguns anos, aquela que é para muitos a etapa mais bonita do ciclo de vida é também reconhecida como
uma fonte de conflitos, um teste à estabilidade do casal.

A maior parte dos jovens casais sabe que quando passarem a ser 3 terão de abdicar de muitos prazeres, horas de sono e de uma parte significativa da liberdade a que estão habituados.

Mas ninguém está verdadeiramente preparado para ter filhos.

Ninguém conhece antecipadamente a extensão daquilo que muda nesta fase da vida. Ninguém espera passar TANTAS noites em claro. Ninguém está preparado para gerir os cuidados prestados à criança, a lida da casa, as relações familiares, as obrigações profissionais e ainda continuar a alimentar o amor romântico.

Aparentemente há casais que são mais bem-sucedidos na difícil tarefa de manter um casamento feliz depois do nascimento do primeiro filho e importa perceber os recursos que os distinguem dos outros, daqueles que evidenciam mais dificuldades, acabando tantas vezes por entrar numa crise conjugal.

Que recursos são esses?

GOSTAR VERDADEIRAMENTE DO CÔNJUGE. Pode parecer redundante mas, para que um casamento dê certo e sobreviva à árdua etapa do nascimento do primeiro filho é fundamental que os membros do casal gostem MESMO um do outro. Mas não é sempre assim? – perguntar-me-ão. Não. Nem todas as pessoas casam/ decidem ter filhos com o amor da sua vida. Nem todas as pessoas amam verdadeiramente o seu cônjuge. Algumas resignam-se a relações antigas porque temem não ser capazes de encontrar alguém que realmente as preencha; outras apressam-se a assentar com medo de não irem a tempo de cumprir o sonho da maternidade/ paternidade (em função da idade). E, claro, ainda há casais que optam por ter filhos numa tentativa irracional de dar uma lufada de ar fresco a uma relação que há muito tempo esmoreceu.

PARTILHA DAS TAREFAS DOMÉSTICAS. Há uma probabilidade mais elevada de os membros do casal superarem as adversidades do nascimento do primeiro filho se tiverem adquirido previamente algumas competências a este nível. O facto de saberem trabalhar em equipa, distribuindo afazeres, é meio caminho andado para que estejam em sintonia e a comunicação flua melhor. Isso inclui serem capazes de reconhecer que há tarefas que um desempenha melhor/ mais rapidamente do que o outro, cumprirem com os acordos efetuados, estarem atentos às necessidades do outro, prestarem muita atenção aos apelos que são feitos e gerirem com inteligência o tempo de cada um.

BOM SEXO. Exceção feita aos primeiros dias pós-parto, em que há desconforto físico da parte da mulher, não há nenhum motivo prático para que os membros do casal se afastem do ponto de vista sexual depois do nascimento do primeiro filho. Pelo contrário, o papel parental deve ser claramente distinto do papel conjugal e ambos têm de continuar a ser alimentados, sob pena de um substituir o outro. E todos sabemos o que acontece aos casais que deixam de namorar centrando-se em exclusivo no papel parental. Não é fácil estar disponível para a intimidade sexual quando mal se dorme duas ou três horas seguidas, tal como não é fácil pensar na hipótese de deixar um bebé pequenino aos cuidados de terceiros mas a verdade é que quanto mais cedo os membros do casal criarem rotinas que lhes permitam continuar a namorar, melhor. Isso pode incluir deixar o recém—nascido com os avós uma noite por semana, sem sentimentos de culpa, e aproveitar para fazer um programa a dois, sem baba, nem fraldas, nem chuchas.

APOIO DA FAMÍLIA E DOS AMIGOS. Nem todos os casais têm o privilégio de poder contar com o apoio de uma rede social REAL, sólida, cooperante. E os que a têm nem sempre são capazes de delegar, de pedir ajuda. Por vergonha, por vontade de mostrar ao mundo que são a família perfeita, o casal perfeito, o super-homem e/ou a super-mulher, muitas pessoas optam por acumular tarefas, fechando-se sobre o seu núcleo e resistindo à ajuda externa. Infelizmente, são muitos os casais com quem já trabalhei que não resistiram a esta escolha e viveram autênticos pesadelos. Quando, por exemplo, uma mulher me diz em sede de terapia que chegou a desejar desmaiar em plena rua “só” para que uma ambulância a viesse buscar e pudesse, assim, descansar um par de horas, estamos perante escolhas emocionalmente pouco inteligentes. Quanto maior for a nossa capacidade de entreajuda, maior a probabilidade de nos sentirmos seguros.

BOA BASE FINANCEIRA. Não há volta a dar: ter um filho custa dinheiro e a velha máxima “Onde comem 2, comem 3” é demasiado redutora e pode conduzir a problemas sérios entre os membros do casal. É verdade que, se fizéssemos as contas com rigor, quase ninguém teria filhos – porque há muitas despesas fixas mas, sobretudo, porque há muitos imprevistos. Mas a decisão de ter um filho não deve (não pode) ser tomada de ânimo leve. Se um dos membros do casal estiver desempregado e/ou se a família estiver a atravessar um período complicado em termos financeiros, a chegada de uma criança pode representar o rastilho para uma explosão de dificuldades e a relação pode não resistir.

TEMPO PARA A FAMÍLIA. É preciso tempo de qualidade – não só para os filhos, mas para a família no seu todo. Se um dos membros do casal passa longos períodos fora de casa e/ou vive em função do trabalho, as coisas até podem funcionar a 2 mas há pouca probabilidade de continuarem a funcionar a 3. 


publicado por Cláudia Morais às 17:19
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012
RESOLUÇÕES DE ANO NOVO
 
Partilho hoje a entrevista que dei à revista COSMOPOLITAN
a respeito dos planos que fazemos nesta altura do ano
e que tantas vezes ignoramos no resto do tempo.
- Quais serão as resoluções de Ano Novo mais típicas/comuns?
As resoluções mais comuns dizem respeito a mudanças profissionais, implementação de um plano de exercício físico, poupanças, hábitos de leitura e alimentação. No final do ano é usual aproveitarmos o fechamento de um ciclo (e o início do outro) para nos comprometermos com mudanças que são reconhecidamente positivas, dependem essencialmente de nós mas que requerem esforço e disciplina. Quando uma pessoa se sente insatisfeita em termos profissionais, é natural que olhe para o novo ano como a oportunidade certa para dar início a um conjunto de estratégias que permitam mudar de vida. E o mesmo é verdade no que diz respeito aos hábitos alimentares e ao exercício. Pensar na saúde, no corpo e nas melhores formas de nos mantermos satisfeitos connosco implica uma reflexão sobre aquilo que é preciso mudar. Por outro lado, a viragem do ano é um período propício a balanços sobre o sentido da vida e sobre a forma como queremos passar o nosso tempo, pelo que é natural que surjam algumas reflexões acerca da possibilidade de dar início a uma poupança que permita fazer “aquela” viagem ou a respeito da gestão da agenda necessária para que antigos hábitos de leitura possam ser recuperados. De um modo geral, comprometemo-nos com a diminuição da procrastinação e com o aumento da focalização nos objetivos.

- E quais serão as que temos mais tendência para falhar/abandonar?
No limite, podemos abandonar quase todas e chegar ao fim do ano com a sensação de que “agora é que é”. A verdade é que a maior parte destas resoluções envolvem compromissos que não são fáceis de manter, quer por preguiça e falta de disciplina, quer por medo. De resto, quando procrastinamos, isto é, quando adiamos tarefas importantes substituindo-as por outras mais agradáveis, agimos quase sempre movidos pelo medo de falhar. É verdade que as questões relacionadas com a motivação e a autoestima  têm aqui um papel fundamental. Quanto menos seguros nos sentirmos a respeito das nossas capacidades, maior será a probabilidade de desistirmos aos primeiros obstáculos. Nesse sentido, os esforços relacionados por exemplo com a implementação de dietas são muito difíceis de manter na medida em que os resultados não raras vezes tardam em aparecer.

- Que tipo de emoções tomam conta de nós nesta época e que nos levam a esta tendência natural para querer mudar tudo o que está mal na nossa vida?
Funcionamos em ciclos e, do mesmo modo que é usual fazermos algumas reflexões aquando do nosso aniversário, é expectável que o façamos nesta altura do ano. Trata-se de olhar para trás, identificar os erros/ insatisfações e aproveitar o início de um novo ciclo para injetar  motivação. Sentimo-nos sobretudo esperançosos e acreditamos que somos capazes. Por outro lado, é comum depararmo-nos com a sensação de que o ano que agora termina passou “demasiado depressa” e isso leva-nos frequentemente ao confronto com a finitude da vida e com o caráter efémero da nossa jovialidade. Olhar para o novo ano como uma oportunidade de mudar é sobretudo depositar em nós mesmos a capacidade de tomar as rédeas da própria vida.

- E porque é que não podemos ter o mesmo espírito de iniciativa e força de vontade a meio do ano, por exemplo?
À medida que retomamos a maior parte dos nossos compromissos e afazeres, acabamos por remeter-nos às nossas rotinas e é relativamente fácil sujeitarmo-nos à azáfama diária sem que paremos para pensar no que está mal. Adiamos de forma sistemática os nossos sonhos enfiando a cabeça no trabalho, nos filhos, na lida da casa.

- Acha que este hábito de fazermos planos que não tencionamos (ou não conseguimos) cumprir é algo positivo que nos alimenta a esperança, ou pelo contrário, é negativo porque nos mostra que afinal não somos capazes de atingir certos objetivos?
É positivo na medida em que nos lembra de algo extremamente importante: não podendo mudar os outros, é possível mudarmos quase tudo na nossa própria vida e, assim, elevar os níveis de bem-estar. O grande problema reside precisamente na reflexão a propósito do que nos faz falta, do que precisamos para sermos felizes. Não raras vezes tentamos enganar-nos a nós próprios, iludimo-nos, e o esforço começa imediatamente condicionado. Mas a verdade é que o “empowerment” psicológico, isto é, a crença de que somos capazes de mudar, é uma competência muito importante.

- De que forma é possível gerir a noção da realidade, do possível e do concreto quando elaboramos os nossos objetivos? Por exemplo, valerá a pena pensar em concretizar algo completamente inatingível, sendo que as nossas expetativas sairão muito provavelmente frustradas?
A questão passa mesmo pelas expectativas. Ao depositarmos toda a nossa felicidade em bens materiais ou até mesmo em mudanças no nosso corpo, esquecemo-nos de que o essencial são os laços afetivos. Assim, ainda que demos o nosso melhor no sentido de cumprir os objetivos, corremos o risco de nos sentirmo frustrados por não estarmos realmente a perseguir os sonhos que contribuiriam para a elevação do nosso bem-estar.

- Qual a melhor forma de lidar com a frustração de perceber que a “lista” de resoluções do ano anterior não foi cumprida?
Lidar com a frustração faz parte do processo de amadurecimento. Depois do insucesso importa arregaçar as mangas e voltar a tentar. As pessoas mais resilientes, isto é, aquelas que não se vergam perante as adversidades, são mais otimistas, mais perseverantes e, de um modo geral, saem vencedoras. Nem tudo é alcançado à primeira tentativa e é o facto de continuarmos a tentar que nos mantém vivos.

- Há alguma forma de tentar assegurar que cumprimos a maior parte das nossas resoluções de Ano Novo, ao género de incentivo (um esquema de autorrecompensa, associarmo-nos a um amigo, colocá-los por escrito…)?
A monitorização dos nossos esforços por escrito, colocando por exemplo uma tabela na porta do frigorífico, e um sistema de castigos e recompensas podem ajudar, tal como pode ser útil pedir ajuda a um familiar ou a um amigo para essa monitorização.

- E quanto às resoluções não cumpridas, será melhor “abandoná-las” por completo e não as incluir na “lista” do próximo ano, para não correr o risco de voltar a falhar, ou vale sempre a pena tentar de novo?
Querer é poder. Gerir as expectativas não deve passar por colocar de lado sonhos que dependem maioritariamente de nós. Nesse sentido, há resoluções que devem mesmo transitar de um ano para o outro, sem que isso implique qualquer sensação de fracasso.


publicado por Cláudia Morais às 16:26
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011
PESSOAS QUE NÃO CONSEGUEM ARRANJAR NAMORADO(A)
Todos nós conhecemos pessoas que descrevemos como “impecáveis”, leia-se, “bonitas, inteligentes, trabalhadoras, interessantes…” e que, por algum motivo, se mantêm solteiras. Não me refiro àquelas que o fazem por opção, mas antes àquele amigo ou àquela amiga que está há vários anos em busca da “alma gémea”. São pessoas aparentemente desejosas de encontrar um companheiro com quem possam construir uma relação sólida mas a quem parece faltar uma pontinha de sorte. Porque as pessoas com quem se relacionaram eram autênticos trastes. Ou porque os relacionamentos amorosos tendem a terminar de forma precoce. Ou ainda porque aquela pessoa parece ter uma pontaria para relações impossíveis.

De um modo geral, aquilo que verifico em sede de terapia é que aquilo a que tantas vezes se chama falta de sorte tem sobretudo a ver com as competências e vulnerabilidades da própria pessoa. Claro que as queixas residem quase sempre no sexo oposto: as mulheres reclamam porque os homens com quem se relacionam são egoístas, só estão interessados na parte física e descuram a intimidade emocional; os homens queixam-se de mulheres fúteis, superficiais, mais interessadas na parte material do que em construir uma relação séria.

Independentemente do percurso individual de cada um e dos pormenores que caracterizam cada processo terapêutico, é bastante óbvio que estes ciclos viciosos são antes de mais fruto de algumas crenças irracionais profundamente enraizadas. Por exemplo, quando um pai ou uma mãe rotula sistematicamente o seu filho de “burro”, alimenta uma forma distorcida de autoconceito. Aquela experiência pode ser determinante para que a criança, mais tarde adulta, se sinta insegura acerca das suas capacidades, mesmo quando confrontada com exemplos contrários.

Porquê? Porque a forma como olhamos para nós, para os outros e para a realidade é em larga medida toldada pelas experiências por que passamos.

Essas experiências podem levar-nos a interiorizar muitas crenças racionais mas também são responsáveis pelo desenvolvimento de crenças irracionais difíceis de desconstruir, mesmo com terapia. São esquemas mentais inconscientes, que condicionam de forma automática o nosso pensamento e o nosso comportamento, levando-nos a arriscar ou a desistir de sonhos e projectos. Alguns destes esquemas resultam da forma como observamos a relação dos nossos pais (enquanto somos crianças). Uma criança exposta a um ambiente familiar instável pode assumir, na idade adulta, um padrão de evitação de relações de compromisso “só” porque interiorizou que os relacionamentos amorosos são perigosos. Este não é mais do que um mecanismo de defesa que se transformou num padrão de comportamento disfuncional, inadequado mas de que a pessoa não tem consciência. É por isso que a pessoa tende a repetir comportamentos e a coleccionar relacionamentos que fracassam (e que a fazem sentir fracassada).

Existem vários mecanismos de defesa por detrás da dificuldade em desenvolver um relacionamento sério. Relações afectivas (com os pais ou, mais tarde, com o sexo oposto) marcadas pelo abandono, privação emocional, violência (física ou psicológica), isolamento, dependência, subjugação, pessimismo, inibição emocional, humilhação ou hipercriticismo podem criar insegurança profunda, perda de auto-confiança e assunção de comportamentos demasiado permissivos/ controladores/ instáveis.

Dependendo das experiências que “coleccionamos” – quer na infância, quer na idade adulta -, os esquemas/ as crenças irracionais podem levar a que seja tão difícil para algumas pessoas encontrar um parceiro. Estas pessoas ambicionam uma relação íntima e calorosa mas, em função da forma distorcida como percepcionam o mundo, não conseguem encontra-la.


publicado por Cláudia Morais às 10:01
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011
CRIANÇAS AGRESSIVAS (IDADE PRÉ-ESCOLAR)
Todos os pais e mães esperam que a entrada para o ensino pré-escolar seja um passo no sentido de as suas crianças darem as primeiras provas “ao mundo” de que são inteligentes, simpáticas, disciplinadas e sociáveis. A par do nervosismo e da tristeza que acompanham os adultos nos primeiros dias em que têm de deixar os seus rebentos aos cuidados de terceiros, existe a expectativa legítima de que a criança seja bem-sucedida. Os progenitores sabem quão importante é a integração da criança no ambiente escolar, pelo que, de um modo geral, escolhem com minúcia o estabelecimento de ensino. Quando as crianças recebem as primeiras avaliações os pais também se sentem avaliados, pelo que quando o corpo docente faz uma análise positiva do comportamento e da adaptação da criança, os pais sentem-se orgulhosos do seu papel.

Mas quando surgem reparos mais negativos ou chamadas de atenção que façam menção a comportamentos agressivos os pais sentem-se legitimamente preocupados e frustrados.

Independentemente do tempo que cada criança leva a adaptar-se à escola, aos adultos e aos colegas, compete à educadora estar particularmente atenta às dificuldades manifestadas por cada criança e, sem alarmismos, procurar conversar com os pais para que, juntos, possam discernir sobre as possíveis causas.

Quando uma criança mostra comportamentos agressivos com os colegas, resistência à frustração, desmotivação e/ou indisciplina perante os adultos do espaço escolar, é importante tentar perceber aquilo que está por detrás do evidente mal-estar e isso pode depender de uma avaliação psicológica, que envolve a observação da criança individualmente, a entrevista aos pais e a observação do comportamento da criança na presença dos pais.

De um modo geral, ao fim de algumas consultas é possível
levantar hipóteses sólidas sobre as causas do comportamento desafiante:

- Conflitos sérios entre os progenitoresMuitas vezes o comportamento agressivo da criança não é mais do que uma demonstração atípica da sua tristeza. Tratar-se-á de uma chamada de atenção para um problema que é observável pela criança mas cuja resolução está fora do seu alcance. Nalguns casos falamos mesmo de crianças deprimidas, que exteriorizam desta forma o seu sofrimento. Desengane-se quem considere que são “só” as crianças cujos pais estão à beira do divórcio que passam por esta aflição. Os casais considerados estáveis podem ignorar a real dimensão dos seus problemas, minimizando o impacto dos momentos de tensão na estabilidade afectiva das crianças.

- Dificuldades dos pais em impor a disciplina. Boa parte das nossas convicções acerca das regras e da disciplina caem por terra aquando do nascimento do primeiro filho. Esquecemo-nos da importância de dizer não, desvalorizamos o rigor na aplicação de castigos e acabamos por estragar a criança com mimos. Na prática, as consequências destes padrões de relacionamento só são realmente visíveis quando a criança tem de enfrentar a comunidade escolar e obedecer a regras impostas por outros adultos. Ali deixa de ser o centro das atenções, deixa de ver as suas necessidades imediatamente satisfeitas e é confrontada com a importância de uma competência social central, a resistência à frustração. As crianças que não estão habituadas a ouvir um “Não” sofrem muito mais aquando da necessidade de adaptação ao ambiente escolar.

- Lacunas na relação com um dos progenitores. Um pai demasiado permissivo pode ser, antes de mais, um pai inseguro, com dificuldade em criar laços com os filhos. Não raras vezes sou confrontada com famílias em que o pai é uma espécie de estranho na educação da criança, acabando por dar o seu melhor no sentido de satisfazer os caprichos materiais da criança mas mostrando-se incapaz de criar uma vínculo afectivo. O pai e a criança brincam e interagem como se fossem da mesma idade mas na altura de definir limites e criar confiança afectiva a responsabilidade está do lado materno. Em casos pontuais esta lacuna é visível na relação com a mãe e é o pai que funciona como “porto seguro”.

- Depressão de um dos progenitores. A depressão é uma doença incapacitante e avassaladora, ainda que nem sempre seja claramente assumida. Quanto mais as famílias se fecharem sobre si mesmas, recusando pedidos de ajuda claros – formais e informais – maior a probabilidade de o sofrimento ser extensível às crianças que, mais uma vez, acabam por mostrar a sua dor e a sua impotência de forma atípica.

- Mudanças repentinas na rotina da criança. A chegada de um irmão, a mudança de emprego de um dos progenitores (e consequente reestruturação no horário) ou o adoecimento de um familiar podem contribuir para a instabilidade da criança. Como nem sempre é fácil para os próprios adultos estarem atentos a tudo e a todos, os medos da criança podem acabar por ser exteriorizados no ambiente que se mantém estável – a escolinha.

A maioria das crianças aprende a substituir o comportamento agressivo, anti-social por um comportamento socialmente adequado antes dos 5 anos. Aprender a gerir sentimentos de raiva e lidar com a frustração são tarefas cruciais da primeira infância. No entanto, se a criança apresenta um padrão de comportamentos agressivos, anti-sociais ou de ruptura que representam uma ameaça para si mesma, ou para os outros, consulte o seu pediatra ou um psicólogo especializado em problemas de comportamento das crianças. Aos pais compete responder às necessidades da criança num ambiente familiar suficientemente aconchegante, sensível, estável e de maneira responsável. Por outras palavras:

A criança precisa de se sentir segura, quer a respeito do afecto dos pais, quer a respeito da sua sensibilidade para responder às suas necessidades, reconhecendo-os simultaneamente como capazes de impor regras e dizer “Não”.


publicado por Cláudia Morais às 10:10
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011
A DOR DO FIM DE UMA RELAÇÃO
Quando duas pessoas decidem dar início a um projecto familiar, seja através do casamento, do nascimento de um filho ou do facto de passarem a viver juntas, fazem-no porque acreditam que aquela pessoa possa ser "a tal", com quem vão querer estar para sempre, com quem vão poder contar em todas as circunstâncias. Independentemente dos números que dão conta de que um em cada dois casamentos termina em divórcio, a maior parte das pessoas faz escolhas que permitam dar voz aos seus sonhos e ninguém está verdadeiramente preparado para o fim de uma relação. Quem já passou por isso sabe quão duro é um divórcio mas sabe também que é possível ultrapassar a dor e que é possível voltar a sonhar. Mais:

Aqueles que viveram desgostos amorosos "à séria" reconhecerão que,
a par do sofrimento, essas foram etapas que permitiram o amadurecimento e o desenvolvimento pessoal.

Claro que quem está neste momento a passar por uma perda como esta sentir-se-á legitimante frustrado, incompreendido e perdido. Porque só a morte é mais dolorosa do que o fim de uma relação. Porque o sofrimento toma conta de nós e tolda o pensamento transformando-nos temporariamente em pessoas pessimistas, descrentes no amor e na reconstrução da vida afectiva. Até aqui, tudo é normal e, até certo ponto, saudável. É saudável que alguém que acabou recentemente um namoro ou um casamento se sinta extremamente triste, fale imensas vezes sobre isso e reviva histórias passadas ao longo daquele relacionamento. É normal que uma parte deste luto implique a necessidade de isolamento.

O que não é saudável é que alguém nestas circunstâncias comece a culpar-se pelo rumo da relação,
assumindo toda a responsabilidade, inclusive sobre os erros do ex-cônjuge.

Quando uma pessoa olha para trás e identifica no seu comportamento erros que justifiquem o facto de o outro a ter traído, ter deixado de amar ou pura e simplesmente ter decidido terminar, corre o seríssimo risco de alimentar ciclos viciosos que são a base de transtornos depressivos. Infelizmente, este não é um fenómeno raro. E é particularmente frequente entre pessoas que foram vítimas de violência emocional e/ou cuja auto-estima esteja particularmente fragilizada.

Se der por si a cair neste padrão comportamental, pare e peça ajuda. É possível que todos estes raciocínios lhe pareçam lógicos, razoáveis mas eles podem minar a recuperação da sua estabilidade emocional.


publicado por Cláudia Morais às 09:58
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011
A TARDE É SUA - VÍDEO
Partilho hoje o vídeo da minha participação no programa A TARDE É SUA no dia 2 de Dezembro, onde comentei o tema VIVI PRISIONEIRA DO MEU MARIDO.


publicado por Cláudia Morais às 22:12
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FORÇA DE VONTADE
Todos os dias somos bombardeados com anúncios que nos dão conta de produtos mais ou menos milagrosos para a perda de peso. Este tipo de publicidade assenta no princípio do "caminho mais fácil", reconhecendo implicitamente que é difícil manter a disciplina, o rigor e a força de vontade associados ao caminho convencional - dieta rigorosa aliada a exercício físico regular. Pior do que isso, estes anúncios são apenas uma pequena amostra de uma perspectiva que está cada vez mais enraizada e que assenta na ideia de que a força de vontade não chega ou não é assim tão importante na concretização dos nossos objectivos. Infelizmente, confronto-me cada vez mais com discursos que traduzem resignação e pessimismo e que são generalizáveis à educação dos filhos.

Refiro-me a:

Adultos que se resignam ao isolamento social e que assumem que é "praticamente impossível" fazer novos amigos a partir de determinada idade;

Pais e mães com excesso de peso que atribuem à Biologia e à Genética toda a responsabilidade da situação;

Homens e mulheres que deixam de lutar pelos seus objectivos porque "sabem" que não vale a pena.

Mas refiro-me sobretudo aos jovens que são expostos a estes modelos de educação e que interiorizam que não vale a pena dedicarem-se a disciplinas difíceis como a Matemática porque, independentemente do número de horas de estudo, o resultado será o mesmo. "Não tenho jeito para isto" é uma frase cada vez mais proferida e que traduz antes de mais a crença irracional de que a força de vontade é uma competência inata. E não é?

Apesar de cada um de nós ser diferente e de algumas pessoas serem aparentemente mais determinadas do que outras, independentemente do contexto em que vivam, a força de vontade pode ser desenvolvida e depende em larga medida da capacidade para nos desfazermos dos pensamentos mais irracionais.

É lógico que não é fácil manter os níveis de motivação, contornar as adversidades, resistir às tentações ou contrariar a genética, Mas é possível. Como? Treinando a perseverança, definindo (e vencendo) pequenas metas e mudando gradualmente a forma como olhamos para nós mesmos.

Tal como já tive oportunidade de referir aqui, a PROCRASTINAÇÃO é um dos grandes entraves à realização dos nossos sonhos. Em função dos medos mais ou menos irracionais, acabamos muitas vezes por adiar tarefas importantes, perdendo tempo com outras que nos distraem e impedem de seguir um rumo bem definido. O estudante vagueia pela Internet em vez de se manter concentrado na preparação do exame (interiormente não acredita que consiga ultrapassar esta prova). O escritor adia sucessivamente a conclusão do seu livro queixando-se de falta de ideias e ignorando que até mesmo o trabalho criativo depende mais do esforço do que do talento. A senhora com excesso de peso foge do ginásio e desvia-se do plano alimentar porque se convence de que é geneticamente incapaz de perder peso. O operário de caixa gasta todos os meses o seu pequeno ordenado porque está convencido de que nunca vai conseguir poupar uma quantia significativa.

A verdade é que podemos e devemos centrar-nos nos nossos sonhos e transformá-los em objectivos. Nem todos serão concretizáveis mas a parte que depende da nossa força de vontade é de facto considerável.

Quer uma prova?

Lembre-se da última vez que conseguiu ultrapassar um obstáculo ou da última ocasião em que se sentiu feliz por ter atingido determinado objectivo. Procure recordar a intensidade do seu bem-estar, a energia que experimentou a seguir. Foi bom, não foi? É provável que tenha sentido uma força incomum. O que quero dizer é que, quando definimos pequeninos objectivos específicos e os concretizamos, sentimo-nos bem connosco e acreditamos que somos capazes de mais.

É um ciclo virtuoso:

Quanto mais fazemos, mais nos sentimos capazes de fazer, quanto mais nos superamos, mais motivados nos sentimos para testar novos limites, quanto mais alcançamos, mais seguros nos sentimos de que tudo é possível.


publicado por Cláudia Morais às 14:10
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❤ OS MEUS LIVROS

    O Amor e o Facebook

    "O Amor e o Facebook", Oficina do Livro, Setembro de 2011

    Sobreviver à  Crise Conjugal

    "Sobreviver à Crise Conjugal", Oficina do Livro, Fevereiro de 2004

❤ OS VÍDEOS

Participação no programa "A Tarde é Sua" (Tema: "Casais que estão juntos 24 horas por dia").

Continua AQUI


Participação no programa "A Tarde é Sua" (Tema: "Só tive uma mulher na vida").

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Participação no programa "A Tarde é Sua" (Tema: "Histórias de vida").

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Participação no programa "Você na TV" (Tema: "Violência nos jovens").

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Participação no programa "A tarde é sua" (Tema: "Quando os homens sofrem por amor").

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CLÁUDIA MORAIS

Psicóloga, Psicoterapeuta Familiar, Conjugal e Individual.

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