Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

TRAUMAS DE INFÂNCIA

É sabido que os primeiros anos de vida são determinantes para a estruturação da nossa personalidade. É nessa altura que se estabelecem os primeiros laços e, da vinculação segura com a família de origem, depende grande parte do bem-estar psicológico na idade adulta. A saúde mental de qualquer criança depende maioritariamente do carinho, da atenção e do respeito pelas suas necessidades. Embora (quase) todos os pais se preocupem com a alimentação e com outros cuidados básicos, nem todos se dão conta da importância da saúde mental logo nos primeiros anos de vida.
 
Como seria de esperar, as experiências traumáticas vividas na infância têm repercussões potencialmente devastadoras no desenvolvimento da criança, estendendo-se muitas vezes até à adultícia.
 
Assim, os adultos que, durante a infância, sofreram abusos, foram vítimas de negligência, de isolamento social ou até de severas dificuldades financeiras são duas vezes mais propensos a perturbações clínicas como a depressão e algumas doenças crónicas como a diabetes e as doenças cardiovasculares.
 
O que acontece é que os eventos emocionalmente negativos podem afectar o nosso desenvolvimento nervoso, imunológico e endócrino, comprometendo tanto a nossa saúde física, como a nossa saúde psicológica.
 
Infelizmente, alguns traumas ficam “adormecidos” no plano inconsciente, acabando o adulto por se adaptar ao tormento desencadeado pelo evento traumático, até que chega um momento em que tudo vem à tona, podendo, nessa altura, desencadear-se um transtorno depressivo ou ansioso.
 
Ainda que as crianças possam responder de modo diferente aos eventos traumáticos, existe uma gama de sintomas a que importa estar atento:
 
• Apego exagerado aos cuidadores;
• Distúrbios do sono, como pesadelos, terror nocturno, inquietação ou insónia;
• Retrocesso nos comportamentos, como se “desaprendessem” competências adquiridas;
• Comportamento irritável, desafiador, intolerância à frustração;
• Retraimento social,
• Enurese nocturna;
• Medos irracionais, como, por exemplo, em relação à segurança do prédio.
 
publicado por Cláudia Morais às 10:06
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